Os Dois Lados da Equação

 

 

 

 

Pastagens, fenos, silagens, cascas e sabugos. Estes são exemplos de um grupo de alimentos importante para a pecuária leiteira – os alimentos volumosos.

Uma dieta adequada está diretamente relacionada com a produção e eficiência zootécnica e econômica dos sistemas de produção de leite. Um dos lados dessa equação está associado aos benefícios do consumo de volumosos, que fornecem aos animais nutrientes e fibras. São também responsáveis por manter a saúde do rúmen e os níveis de gordura do leite.

Mas, o que se pode dizer sobre o outro lado da equação, o custo da produção de volumosos?

Da análise dos resultados das propriedades participantes da Plataforma Educampo, pode-se inferir que o gasto com volumosos aparece como o segundo item de maior desembolso no custo de produção da atividade leiteira, comprometendo, em média, 11,5% de toda a renda bruta da atividade.

Nos últimos 3 anos, o aumento médio do gasto com volumosos sobre a renda bruta foi de 3,2% ao ano. O aumento dos custos dos principais insumos usados na produção desses alimentos, tais como fertilizantes, defensivos, sementes, combustíveis, dentre outros, justifica esse resultado. Por isso, é importante otimizar a utilização dos volumosos nas propriedades, buscando maior eficiência econômica.

Para avaliar o impacto da eficiência de produção de volumosos, estratificamos as propriedades que participam da Plataforma Educampo em função da taxa de retorno do capital com terra (%a.a.) no período de abril de 2019 a março de 2020.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Podemos observar, na tabela acima, que as fazendas superiores obtiveram um equilíbrio maior no gasto com volumosos sobre a renda bruta em relação as fazendas inferiores. Enquanto os superiores destinaram 10,3% da sua renda bruta para pagar os custos com alimentos volumosos, os inferiores destinaram 13,5% da sua renda bruta total. Vale ressaltar que as fazendas de todos os estratos utilizaram diferentes alimentos volumosos na composição das dietas.

O que explica essa diferença de comprometimento da renda bruta com alimentos volumosos entre os diferentes tipos de propriedade? A resposta está no custo mais equilibrado, que é resultado de um bom trabalho no plantio e nos tratos culturais, no momento e local adequados para cada cultura. O aumento da produtividade média e redução no custo de produção por tonelada das forrageiras são resultados dessas estratégias.

As fazendas superiores, além de um equilíbrio no custo dos volumosos, apresentaram também um gasto mais baixo com concentrados. Isso demonstra que elas produziram volumosos de melhor qualidade nutricional, necessitando de um menor desembolso para a suplementação de concentrado, em relação as fazendas inferiores. Dessa forma, as propriedades superiores apresentaram custo alimentar mais baixo, atingindo uma diferença de R$ 0,16 por litro de leite produzido em relação às inferiores.

O que se pode aprender com as fazendas que alcançam melhores resultados? Para atingir a máxima eficiência alimentar é preciso fornecer volumosos de alta qualidade nutricional, sem perder de vista o equilíbrio dos custos desses alimentos. É preciso, também, adequar o manejo, dividindo os animais em lotes, de acordo com a produção, fazer o arraçoamento correto, avaliar o uso de subprodutos na dieta e realizar compra estratégica de insumos.

Para equacionar os melhores resultados na produção de leite, a dieta das vacas leiteiras deve estar em consonância com os custos. Para isso, conhecer os dados da sua propriedade é de fundamental importância. Preencha os dados da tabela com os da sua fazenda e crie suas estratégias. Afinal, conhecer os dois lados da equação é resolver o problema!