Fora do baralho?

 

 

 

Muitos são os fatores que levam ao descarte de vacas, como doenças reprodutivas e metabólicas, traumas, casos de mastite, idade, morfologia, produção, persistência de lactação, entre outros. Entretanto, ainda é comum insistir em manter animais que não expressam todo o seu potencial produtivo na fazenda. O descarte estratégico e selecionado de animais pode proporcionar um ajuste fino na composição do rebanho, além da possibilidade de geração de receita extra pontual com a venda desses animais. Qual o impacto de descartes estratégicos na propriedade? Quais os ganhos operacionais e econômicos? Será que momentos de preços da carne em alta representariam uma oportunidade? O que analisar para considerar se devo ou não descartar animais? Você já refletiu sobre esses pontos?

Foram selecionadas, entre as propriedades participantes da Plataforma Educampo, 25% daquelas que obtiveram menor rentabilidade no ano de 2020. Então, foi simulado o que aconteceria com o resultado das mesmas se tivessem considerado um descarte adicional de 5% ou 10% das vacas totais do rebanho, além do descarte realizado naquele ano, sendo que essa porcentagem seria direcionada especificamente para descarte de vacas secas.

Para a realização dessa simulação, considerou-se o preço médio da arroba em R$ 220,00 e o peso vivo médio das vacas vendidas de 550 kg, o que representaria 18,3 arrobas/animal. Além disso, não foram consideradas alterações na produção de leite (adotando somente descartes de animais que não estariam em produção, mantendo o número de vacas em lactação) e no custo de produção do período (partindo do princípio que a alteração no custo em função do descarte destes animais não seria considerável). Vale ressaltar que a variação no estoque de capital em animais foi considerada.

A Tabela 1 apresenta os resultados obtidos pelas simulações, partindo dos resultados ocorridos no período.

 

Tabela 1 – Respostas de indicadores técnicos e econômicos frente às simulações de descarte adicional de vacas acima do ocorrido no período:

 

 

 

 

Fonte: Sebrae Minas. 120 fazendas atendidas pela Plataforma Educampo (25% inferiores em rentabilidade). Dados de fevereiro/20 a janeiro/21, corrigidos pelo IGP-DI de fevereiro/2021.

 

Como pode ser observado na simulação (Tabela 1), o uso do descarte estratégico adicional de animais melhoraria determinados resultados médios dessas fazendas. Com o incremento na receita proveniente do descarte, a margem líquida unitária da atividade, por exemplo, aumentaria R$ 0,09/litro, no cenário de incremento de 10% no descarte, caso fosse indicado para aquela determinada realidade. O possível aumento na margem líquida favoreceria a rentabilidade da atividade naquele ano, onde a taxa de remuneração do capital com terra passaria de 0,20% para 1,50% ao ano, neste mesmo cenário. Não haveria redução nos custos, pois as despesas com os animais descartados já estariam consideradas no custo total do cenário ocorrido. Haveria, também, uma melhora nos indicadores relacionados à composição do rebanho, visto que neste caso seria feito o descarte de animais não lactantes.

 

Vale salientar que há vários parâmetros a serem considerados ao decidir pelo descarte de animais, como o impacto na produção de leite futura, desequilíbrio de estrutura de rebanho, existência de novilhas para reposição, entre outros. Por isso, em determinados casos, o descarte não é recomendado! Nesse sentido, o objetivo da simulação acima é enfatizar a importância de, após a análise de caso a caso com o auxílio do consultor que o atende, entender a situação atual específica de sua propriedade em relação ao sistema produtivo adotado, estrutura de rebanho, reposição de matrizes, mercado local, análise de benefício-custo, entre outras. Então, chegar à conclusão se existe a possibilidade de descartes estratégicos e os possíveis impactos nos resultados econômico e produtivo.

O foco do trabalho deve ser sempre a gestão de custos visando o equilíbrio, mas estratégias alternativas para aumento das receitas também podem ser trabalhadas.