Renovar para crescer

 

 

A renovação (recepa) ou replantio dos parques cafeeiros são práticas recorrentes e que visam a retomada produtiva das lavouras. Para que seja assertiva a decisão de renovar ou replantar, o cafeicultor precisa estar atento ao histórico da lavoura, vigor, potencial de produção e custos decorrentes da operação a ser realizada.

Para auxiliar nesse processo, realizamos a análise dos custos de lavouras em renovação, nas três regiões cafeeiras atendidas pela plataforma Educampo, no ano em que ocorre a renovação, safra 2018/2019 e no ano posterior, 2019/2020.

 

Tabela 1: Investimento por hectare das regiões Matas de Minas, Sul de Minas e Cerrado para o ano de renovação das lavouras, safra 2018/2019

 

 

 

As lavouras que passaram pelo processo de recepa, na safra 2018/2019, apresentaram idade média de 19 anos nas Matas de Minas, de 16 anos no Sul de Minas e de 20 anos no Cerrado. Além disso, como observado nos dados da Tabela 1, as cinco atividades que mais influenciaram o investimento da recepa foram: adubação via solo, administração, condução da lavoura, controle de pragas e doenças e controle de plantas daninhas. Essas atividades representam 90% do investimento direto nas lavouras no primeiro ano da renovação. Esse fato revela as exigências em temos de: maior aporte de nutrientes nas lavouras, elevado gasto com mão de obra e uso de insumos para controle de pragas, doenças e plantas daninhas, devido a condição de renovação se assemelhar as condições de uma lavoura recém-implantada.

Na safra posterior a renovação, observa-se que as Matas de Minas apresentaram maior produtividade, diluindo o custo de produção. Cabe ressaltar que o manejo da poda nas fazendas Educampo, dessa região, apresentam recepa mais alta, contribuindo para maiores produtividades em relação às demais regiões. Observa-se também que o Sul de Minas apresentou menores custos por hectare, porém com menor produtividade (Gráfico 1).

 

 

Gráfico 1 – Custo Operacional Efetivo, Custo Operacional Total e Custo Total (R$/ha), e produtividade (Sacas/ha) das regiões Matas de Minas, Sul de Minas e Cerrado no  posterior ao ano de renovação, safra 2019/2020

 

 

Fonte: Educampo Sebrae Minas. Resultados referente a amostra de 102 propriedades nas Safras 2018/2019. Dados corrigidos pelo IGP-DI de abril de 2021.

 

Dentre os fatores que ajudam a explicar esse cenário, ressalta-se o estande maior encontrado nas Matas de Minas, com média de 5.154 plantas por hectare, que contribui para menor perda de vigor vegetativo das plantas, maior aproveitamento de insumos e, consequentemente, maior produtividade e recuperação das plantas após a renovação. Em contrapartida, o Sul de Minas apresenta menor estande, em média 3.892 plantas por hectare, bem como menor longevidade das lavouras, com média de 18,5 anos. Esses fatores ajudam a entender a menor produtividade das lavouras do Sul de Minas após as renovações.

Avaliar o retorno produtivo das áreas em renovação em cada propriedade é fundamental para embasar as análises sobre os investimentos e estratégias aplicadas na lavoura e o impacto nos resultados da safra atual.