Os impactos da adubação foliar no custo de produção da cafeicultura

A adubação via folha é a operação pela qual é possível fornecer os principais micronutrientes essenciais ao desenvolvimento vegetativo e produção do cafeeiro. Assim, torna-se pertinente avaliar a importância e os impactos dessa atividade no custo de produção da fazenda.

Confira, no gráfico abaixo, os gastos (R$/hectare) com adubação via folha para cada região no biênio 2018/2020:

Gráfico 1 – Custo com adubação via folha (R$/hectare) para as regiões das Matas de Minas, Sul de Minas e Cerrado, para o biênio 2018/2020.

Fonte: Educampo/Sebrae Minas. Resultado referente a amostra de 360 fazendas no biênio 2018/2020. Dados corrigidos para o IGP-DI de julho de 2021.

Note que o Cerrado apresenta maiores despesas com a atividade adubação via folha, enquanto que as Matas de Minas e o Sul de Minas encontram-se com valores semelhantes entre si. Para entender melhor a estrutura de despesas dessa operação, vamos avaliar os elementos de despesa do custo com adubação via folha, por meio da tabela abaixo:

Tabela 1 – Custo por elemento de despesa (R$/hectare) para as regiões das Matas de Minas, Sul de Minas e Cerrado, para o biênio 2018/2020.

Fonte: Educampo/Sebrae Minas. Resultado referente a amostra de 360 fazendas no biênio 2018/2020. Dados corrigidos para o IGP-DI de julho de 2021.

Quando estratificamos os elementos da adubação via folha, observamos que, para as Matas de Minas, os adubos foliares e similares representam 48% do desembolso com a atividade, 64% no Sul de Minas e 67% no Cerrado. Os custos com mão de obra para o Cerrado, ainda que realizados de forma mecanizada, são maiores, devido ao maior número de pulverizações realizadas nessa região.

Outro aspecto importante a ser avaliado é a eficiência econômica dessa atividade. Mesmo que os gastos por hectare sejam elevados, tem-se a contribuição para uma planta bem nutrida e, consequentemente, ocorre reflexo na produtividade e retorno econômico no biênio. Mas, para que essa operação surta efeito, é preciso seguir as orientações técnicas, respeitando, principalmente, o momento da aplicação. Confira essa relação de eficiência no gráfico a seguir:

Gráfico 3 – Custo com adubação via folha por área (R$/hectare) e por produção (R$/saca) para as regiões das Matas de Minas, Sul de Minas e Cerrado, para o biênio 2018/2020.

Fonte: Educampo/Sebrae Minas. Resultado referente a amostra de 360 fazendas no biênio 2018/2020. Dados corrigidos para o IGP-DI de julho de 2021.

Nota-se que fazendas com maior gasto por área com a adubação via folha também atingiram maiores produtividades e, por isso, o custo por saca ficou cerca de 16% menor, em relação às fazendas menos produtivas. Assim, percebe-se que fazendas com bom desempenho produtivo tendem a apresentar gasto um pouco maior que a média com essa atividade.

Cabe ressaltar que a adubação foliar deve ser recomendada com base em critérios técnicos e tendo sempre em vista o aspecto econômico, uma vez que gastos excessivos com essa atividade podem passar a ser gargalos dentro da busca por custos equilibrados na fazenda. Para isso, cafeicultor, atente-se sempre à realização da análise foliar e de solo e, só a partir dela, proceda com a recomendação e aplicação de fertilizantes via pulverização foliar. No momento de adquirir produtos foliares, avalie a relação benefício custo. Atente-se também à tecnologia de aplicação! Produtos de baixo valor agregado podem trazer resultados satisfatórios quando bem aplicados.

Assim, nesse início de safra, avalie como está o planejamento das pulverizações com fertilizantes foliares em sua fazenda, projete os custos e mensure os aspectos técnicos e econômicos dessa atividade.

Bom trabalho e até o mês que vem!

 

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