Os efeitos da geada na produção cafeeira das principais regiões de Minas Gerais voltadas a esta atividade

A safra 2021/2022 se inicia em um cenário atípico de preços, com previsão de comprometimento de safra e ainda com incertezas quanto as condições climáticas. A imprevisibilidade climática sempre foi um problema para a agricultura mundial, e acaba se tornando um risco importante para todo o setor agrícola, em especial, para culturas perenes como o cafeeiro. Sabemos que o clima é responsável por 60 a 70% da variabilidade da produção agrícola, (ORTOLANI,1995), e os principais componentes dessa variação são o déficit hídrico e temperaturas adversas, ocasionando veranicos ou geadas.

Confira no gráfico 01, a média mensal de déficit hídrico das principias regiões produtoras de café em MG, ilustrando a situação preocupante que reflete a produção da safra 2021/2022.

Gráfico 1 – Déficit hídrico (mm), média mensal das principais regiões cafeeiras de Minas Gerais.

Fonte: Sismet/Cooxupé dados de estações meteorológicas de 15 municípios.

O déficit hídrico que foi enfrentado pelos agricultores no ano de 2020, já foi superado nesse ano de 2021. A intensificação do fenômeno climático La Ninã, fez com que de 01 de janeiro ao dia 23 de setembro, o déficit acumulado chegasse a 241 mm, superando em 45 mm a média histórica. Tal cenário caminha para menor crescimento de ramos e problemas na florada 21/22 que podem comprometer a safra futura.

Outro evento climático enfrentado pelos cafeicultores nesse ano foi a geada. Em um levantamento nas fazendas atendidas pelo Educampo, obtivemos os seguintes resultados:

Gráfico 2 – Área atingida por geada em hectares no ano de 2021.

Fonte: Educampo/Sebrae Minas. Resultado referente a amostra de 37.225 ha, em todas as regiões cafeeiras de Minas Gerais.

De acordo com o levantamento, 15,7% da área destinada a cafeicultura das propriedades atendidas pelo Educampo, sofreram algum grau de dano pela geada. Notamos ainda que, no Cerrado, 45% das áreas atingidas tiveram toda a produção para a próxima safra comprometida. Já no Sul de Minas, das áreas avaliadas 54% sofreram danos máximos e não terão produção na safra 2021/2022. A região Matas de Minas não apresentou na amostra avaliada áreas afetadas por geada.

Esse cenário reflete uma baixa oferta de café no mercado devido à quebra de safra, o que aliado a crescente demanda por café no mundo (crescimento de 1,7% ao ano segundo dados da Organização Internacional do Café), tende a acarretar acréscimos nos preços pagos pela saca de café em função do baixo estoque do produto.

Outro ponto importante é a alta no preço dos insumos bem como a sua disponibilidade no mercado. Avaliando a relação de troca, tida como a quantidade de sacas de café necessária para pagar a compra dos insumos necessários à produção, notamos que mesmo com a alta dos preços dos produtos nos últimos anos, a relação de troca tem aumentado para fertilizantes e caído para defensivos, ou seja, no geral o produtor precisa de maior quantidade de café para comprar seus fertilizantes e menor quantidade de café para comprar seus defensivos. Para exemplificar, no primeiro semestre de 2020 foram necessárias 3,11 sacas de café para pagar cada tonelada de fertilizante e 0,23 sacas de café para pagar cada litro de defensivo; já no primeiro semestre de 2021, foram necessárias 3,15 sacas para cada tonelada de fertilizantes (incremento de 1,3%) e cerca de 0,13 sacas para cada litro de defensivo (redução de 42,0%).

Assim, caro (a) produtor (a), avalie junto com seu consultor o cenário atual em que a expectativa é de quebra na safra, menor quantidade de café no mercado, alta nos preços e assim, busque otimizar a relação de troca da sua propriedade, garantindo retorno econômico satisfatório na próxima safra.

 

Bom trabalho e até o mês que vem!

 

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