Não vale a pena arriscar!

 

 

Muitos foram os desafios enfrentados até esse momento: grande parte dos desembolsos já foram feitos com adubações, controle de pragas e doenças, entre outras atividades na cafeicultura. O que aguarda o cafeicultor é mais uma operação fundamental: a colheita! Não vale a pena arriscar todo o trabalho feito, não é mesmo?

O planejamento feito com antecedência é de grande importância para qualquer atividade a ser realizada. Sabemos que o tipo de colheita a ser empregada em cada lavoura cafeeira está vinculada ao relevo, à idade do talhão, à disponibilidade de maquinário e à mão de obra. Desta forma, devemos considerar as peculiaridades de cada área em produção e planejar seus custos.

No biênio 2018/2020, o custo médio com colheita de árvore representou 7% da renda bruta da atividade. Já o custo médio da mão de obra total (contratada + fixa), entre as propriedades participantes da plataforma Educampo, apresentou um impacto de 19% na renda bruta, sendo o elemento de despesa com maior custo neste biênio.

Como forma de mensurar o custo com colheita de árvore, realizamos a estratificação dos elementos com maior impacto nesta atividade por região, conforme Gráfico 1.

 

Gráfico 1 – Análise da composição da atividade colheita de árvore, estratificada por elemento de despesa, por região

 

 

Fonte: Educampo-Sebrae/MG, dados obtidos a partir de uma amostra de 360 propriedades, dados corrigidos pelo IGP-DI de dezembro de 2020.

 

O custo com mão de obra total foi responsável por 91% dos custos com colheita de árvore na região das Matas de Minas, e por 82% no Sul de Minas. Essas são regiões que apresentam predominantemente a colheita manual. Em contrapartida, no Cerrado, onde 77% das áreas produtivas são colhidas de forma mecanizada, os custos com mão de obra e hora máquina/manutenção equivalem a 73% do custo com a colheita de árvore.

Por isso, o planejamento operacional é fundamental para se obter bons rendimentos e eficácia econômica com essa atividade. Além disso, para as áreas que necessitam de prestação de serviços, manual ou mecanizado, a relação deve ser sempre avaliando a receita da atividade estimada.

Os dados do Gráfico 2 permitem inferir que, para sistemas de colheita mecanizado, 4% do valor de uma saca de café é comprometido com mão de obra, todavia para o sistema manual, essa relação é de 21%. Ou seja, esse é um benchmark para levarmos em consideração ao se discutir valores de medidas com as equipes de colheita.

Gráfico 2 – Comparação entre gastos de colheita (árvore e chão) e gastos de mão de obra de colheita (árvore e chão) sobre a renda bruta para os sistemas mecanizados e manuais

 

Fonte: Educampo-Sebrae/MG, dados obtidos a partir de uma amostra de 360 propriedades, dados corrigidos pelo IGP-DI de dezembro de 2020.

 

Para avaliar como foi o seu nível de eficiência na última safra, utilize a tabela abaixo como referência:

 

Tabela 1 – Custo operacional efetivo em R$/saca e gastos de colheita por saca produzida para os sistemas de colheita manual e mecanizado no Educampo

 

 

 

 

Fonte: Educampo-Sebrae/MG, dados obtidos a partir de uma amostra de 360 propriedades, dados corrigidos pelo IGP-DI de dezembro de 2020.

 

Tenha sempre em mãos os resultados da sua fazenda e projete as despesas desta atividade para próxima colheita. Não vale a pena colocar em risco aquilo que é o resultado da vitória de muitos desafios!