Não tem segredo!

 

 

Em diversas regiões cafeeiras, o mês de outubro significa que o momento da adubação está próximo. Equilibrar os custos empenhados nessa atividade para conseguir alcançar boa produtividade e, consequentemente, bons resultados financeiros, é o objetivo de todo cafeicultor.

Qual é o segredo para melhorar a eficiência e os resultados da atividade cafeeira? Não tem segredo! Basta realizar um bom planejamento. Em relação as adubações, o cenário não é diferente. Fazendas que realizam o planejamento das atividades e não são surpreendidas no decorrer das operações, conseguem melhor desempenho operacional e financeiro.

Realizamos a estratificação dos custos com a atividade adubação via solo e produtividade, por região, entre as propriedades superiores e inferiores em margem líquida por hectare, referente aos dados do Biênio 17/19, corrigidos pelo IGP-DI de agosto/2020, como segue apresentado nos gráficos a seguir.

 

 

 

Gráfico 1: Produtividade (Sacas/hectare), Gastos com Adubação Via Solo (R$/Saca; R$/hectare) das fazendas Educampo estratificadas em inferiores e superiores em Margem Líquida (R$/hectare)

 

 

Fonte: Educampo/Sebrae, MG. Resultados obtidos no biênio 2017/2019, com amostra de 268 fazendas.

 

 

Ao analisarmos o gráfico 1, observamos que o grande diferencial entre as fazendas superiores e inferiores está no investimento em adubação via solo por saca. As fazendas superiores, que apresentam maior margem líquida por hectare, por apresentarem maior produtividade, obtiveram maior diluição do custo na atividade de adubação via solo. Ou seja, o alto investimento em adubação por hectare, não necessariamente, corresponde as maiores produtividades e a melhor margem líquida.

Além disso, sabemos que a adubação via solo possui grande impacto para a atividade cafeeira. No biênio 2017/2019, essa atividade representou 26% do custo operacional efetivo das propriedades do Educampo. A seguir, apresentamos o impacto da adubação via solo na renda bruta da atividade.

Observamos que as fazendas classificadas como inferiores sofrem um impacto da adubação via solo na renda bruta, aproximadamente 80% maior em relação as superiores, ou seja, enquanto as fazendas superiores gastam em torno de R$ 13,00 com adubação via solo a cada R$ 100,00 de receita com o café, as fazendas inferiores estão gastando aproximadamente R$ 24,00 com a mesma atividade.

 

Gráfico 2: Participação da Adubação Via Solo (R$/Hectare) na Renda Bruta (R$/Hectare) das fazendas com margem líquida superior e inferior do Educampo

 

Fonte: Educampo/Sebrae, MG. Resultados obtidos no biênio 2017/2019, com amostra de 268 fazendas.

 

 

Sendo assim, podemos dizer que, isoladamente, o investimento em adubação via solo não é o responsável direto pelo retorno produtivo e econômico da propriedade. O custo com esta atividade é otimizado quando conseguimos associar uma série de fatores, tais como, aquisição de fertilizantes no mercado a preços diferenciados, aplicação no tempo correto, otimização das aplicações, aplicação das dosagens corretas, entre outros, que ganham maior assertividade quando planejado previamente.

Avaliar e planejar a atividade como um todo é o segredo para que o investimento em adubação gere os melhores retornos na cafeicultura.