Como avaliar o impacto do patrimônio nos custos de produção de café

As atividades agropecuárias têm grande importância socioeconômica no Brasil e no mundo, sendo responsáveis por gerar renda e emprego em localidades onde, principalmente, na maioria das vezes, é a única atividade presente. Dada a relevância desse setor, torna-se cada vez mais necessário manter a sustentabilidade do negócio, o que demanda maior investimento em uma boa gestão administrativa. Isso significa que o produtor rural deve conseguir aumentar sua eficiência, maximizando sua produtividade e reduzindo seus custos. E nesse contexto, uma das estratégias é dimensionar o capital investido em patrimônios de maneira condizente com a estrutura e a situação econômica da propriedade, já que esses custos impactam consideravelmente no crescimento do negócio rural.

Mas para identificar e poder traçar estratégias para equilibrar esse custo é preciso entender sobre o que estamos falando. Assim, antes de tudo, é necessário esclarecer que patrimônio é o conjunto de bens, direitos e obrigações que podem ser avaliados em moeda, ou seja, que têm valor econômico. Nosso foco aqui são os bens, que podem ser móveis, como maquinários, implementos e ferramentas; ou imóveis, como a terra e construções.

Dada a importância do tema, surge a necessidade de gerir bem esses bens. Por isso, a gestão de patrimônio está cada vez mais na pauta dos gestores: além de reduzir os custos, garantir a racionalização das operações, fatores decisivos para ampliar a competitividade no mercado.

 

Análise de patrimônio na cafeicultura

As atividades agropecuárias, na maioria dos casos, são caracterizadas pelo elevado capital imobilizado em máquinas, benfeitorias e terra. E na cafeicultura não é diferente, ainda mais pelo elevado investimento em lavouras.

O gestor precisa estar atento e avaliar o impacto que o capital empatado em patrimônios tem como um todo. Quando pensamos em mecanização, por exemplo, sabe-se que o investimento em máquinas e equipamentos contribui para potencializar a produção por área e minimizar custos produtivos, como aqueles relacionados à mão de obra. As máquinas assumiram atividades antes desenvolvidas manualmente, como arruação, derriça, varrição, adubação, colheita. No entanto, o investimento em maquinários eleva o capital imobilizado e o grande dilema é que muitos produtores rurais não conseguem converter esse patrimônio em geração de receita.

Esse é um exemplo simples de que qualquer investimento deve ser muito bem avaliado, principalmente porque impacta na rentabilidade da propriedade.

 

Indicadores norteiam as estratégias

O cafeicultor, para tornar o seu negócio rentável e atrativo, deve ter equilíbrio nos investimentos aplicados na propriedade e a produção alcançada. Uma forma de avaliar o potencial produtivo e a eficiência na utilização do capital investido na propriedade é por meio da análise dos seguintes indicadores:

  • Estoque de capital empatado por hectare em produção (EC/ha);
  • Estoque de capital empatado por saca produzida (EC/sc).

Estes indicadores são calculados dividindo o valor do capital empatado na propriedade pela área plantada e pela produção total de café, respectivamente. Por exemplo, uma fazenda com capital de R$ 2.000.000,00 imobilizado em terra, lavouras, máquinas e benfeitorias, que produziu 1.000 sacas de café em 40 hectares terá um “Estoque de capital empatado por saca produzida” de R$ 2.000,00 e um “Estoque de capital empatado por hectare em produção” de R$ 50.000,00.

Na tabela a seguir estão apresentados os indicadores referentes às fazendas participantes do Educampo café no biênio 2016/2018, estratificadas em inferiores e superiores de acordo com o resultado de Margem Líquida por hectare. O cálculo desses indicadores pode considerar ou não o valor empatado em terra, dependendo da situação e objetivo da análise.

 

Perceba que tanto para as fazendas inferiores quanto para as superiores, o estoque de capital para cada hectare em produção é semelhante quando considerado o valor da terra na análise. Contudo, quando analisado o indicador desconsiderando o valor da terra, observa-se um menor valor para as fazendas com melhores resultados econômicos (superiores). Esse resultado pode decorrer de um dimensionamento dos investimentos mais bem elaborado e maior eficiência na aquisição dos bens.

Mas, para avaliar a utilização eficiente do capital investido na fazenda, é preciso analisar o indicador “Estoque de Capital imobilizado por saca”. Perceba que em ambos os casos, as fazendas superiores apresentam um menor estoque de capital por saca, como reflexo da diluição do patrimônio pela maior produtividade dessas lavouras.

 

Estoque de capital médio: existe um valor de referência?

As fazendas mais rentáveis do Educampo, ao longo das últimas oito safras, apresentaram um estoque de capital médio empatado por saca em torno de R$ 1.100,00, considerando o valor da terra. Esta informação é estratégica e este valor pode ser utilizado como uma referência para as análises de investimentos na cafeicultura.

Dessa forma, o gestor de uma propriedade cafeeira deve utilizar os indicadores mencionados para avaliar o nível de eficiência na utilização do capital em sua fazenda. Lembrando que a produtividade será sempre um fator essencial para ampliar a eficiência e deve ser considerada no planejamento de novos investimentos a serem feitos na propriedade.

Por falar em utilização eficiente dos recursos, você sabe como equilibrar o custo com adubação via solo? Confira esse conteúdo técnico que vai te mostrar que é possível maximizar sua produção de café com o manejo correto de adubação.

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