A tríade do café

 

 

O mercado do café ainda está sendo impactado pela safra anterior. Como avaliar, nesse cenário, os resultados alcançados pelas fazendas Educampo? A resposta está na análise da tríade –  custos, produtividade e preço.

O Educampo gerou informações que podem favorecer a análise das atividades de maior impacto no custo de produção e valores de produção (Gráfico 1).

 

Gráfico 1 – Produtividade média Educampo (Sacas/hectare), Produtividade média CONAB (Sacas/hectare) e Preço médio de vendas Educampo (R$/Sacas)

 

 

 

 

Fonte: Educampo/Sebrae, MG. Resultados obtidos na safra 2019/2020, com amostra de 375 fazendas. Resultados CONAB, dezembro 2020

 

Como observado no Gráfico 1, a produtividade da safra 19/20 foi marcada por uma bienalidade positiva, nas três regiões avaliadas, favorecida por boas condições climáticas. Sendo assim, a média produtiva do estado ficou em torno de 40,7 sacas por hectare. Esse é um resultado significativamente maior do que a média CONAB para o período.

Além do fator produtividade, o preço médio de venda das propriedades participantes da plataforma Educampo, na safra 2019/2020, foi de R$ 579 por saca. Esse valor ficou próximo aos dados obtidos pelo CEPEA, que apresentou média de preço de R$ 588 por saca, para o mesmo período, dados corrigidos pelo IGP-DI dezembro/2020. Embora os preços sejam considerados bons no mercado físico, no período analisado, é necessário estar atento à grande oscilação do mercado nesta safra. É importante avaliar o custo de produção para definir as margens de ganho e garantir a sustentabilidade do negócio.

 

O comportamento do custo operacional efetivo (COE) (Tabela 1), na safra 2019/2020, permite inferir que as atividades que levaram o cafeicultor a ter maior desembolso direto foram divergentes nas regiões avaliadas, fato que pode ser explicado pelas características peculiares de cada região. No Cerrado e Sul de Minas, a atividade de maior influência no COE por hectare foi a adubação via solo, representando 30% e 25%, respectivamente. Já nas Matas de Minas, explicado pelas altas produtividades, a colheita de árvore foi a atividade com maior peso, representando 34% do COE.

 

 

Tabela 1 – Composição do custo operacional efetivo (R$/Hectare)

 

 

 

Fonte: Educampo/Sebrae, MG. Resultados obtidos na safra 2019/2020, com amostra de 375 fazendas. Dados corrigidos pelo IGP-DI de dezembro 2020.

 

Ainda, deve-se destacar a atividade adubação via solo que para o Cerrado diferiu significativamente das demais regiões. A eficiência nessa atividade foi identificada na região Matas de Minas, com custo de R$ 74,50 por saca produzida, ao passo que nas regiões Cerrado e Sul o gasto ficou em torno de R$ 98 e R$ 90 por saca produzida, respectivamente.

O produtor de café, para entender o mercado e dar os próximos passos na busca da sustentabilidade do seu negócio, deve estar sempre atento à tríade, representada pelos custos, produtividade e preço. É preciso criar estratégias, a partir da análise desses fatores, para obter bons resultados produtivos e econômicos para a safra atual.