Como reduzir custos impactando a produção o mínimo possível

Em tempos conturbados de preços de café, a tendência de grande parte dos produtores, no curto prazo, é repensar as despesas com as lavouras. No entanto, é fundamental garantir que esses ajustes não acarretem prejuízo.

Alguns produtores, por exemplo, reduzem os gastos na condução de lavouras, principalmente com elementos essenciais, como fertilizantes minerais, inseticidas e fungicidas. Em muitos casos, porém, essa redução ocorre de forma indiscriminada, ocasionando, portanto, impactos negativos nos resultados técnicos e econômicos das lavouras no médio e no longo prazo.

Prova disso é o resultado da análise de regressão abaixo (Figura 01), feita nas propriedades participantes do Educampo Café, no biênio 2016/2018, onde foram identificados os fatores que mais influenciaram os resultados de margem líquida por área (R$/hectare). Veja:

Figura 01: Variáveis com maior influência na Margem Líquida (R$/ha):

Fonte: SEBRAE Minas. Educampo Café – Biênio 16/18 – 2.746 talhões – Dados corrigidos pelo IGP-DI de fevereiro de 2019.

Para manter uma propriedade atrativa economicamente é fundamental o bom desempenho da produtividade (sc/ha), que no exemplo acima representou 62,5% do resultado da margem líquida.

A análise apresentada na Figura 02 retrata os resultados médios de produtividade e custos com determinadas atividades produtivas, obtidos pelas propriedades do Educampo Café. Aquelas com menor produtividade (25% de toda amostra) foram classificadas como inferiores, e as superiores são propriedades que alcançaram maior produtividade (25% de toda amostra).

Figura 02: Resultados médios de produtividade e custos com determinadas atividades produtivas

Fonte: Sebrae Minas. Educampo Café – Biênio 2016/2018. Dados econômicos corrigidos pelo IGP-DI de maio/2019.

É possível observar que as fazendas mais produtivas apresentaram maior Custo Operacional Efetivo por hectare, de modo que, nem sempre, reduzir custos frente a uma crise de mercado é a melhor estratégia. Além disso, as atividades – adubação via solo, controle de pragas e doenças e adubação via folha – apresentaram diferença significativa entre os estratos, sendo muitas vezes, as atividades que mais justificam a maximização do potencial produtivo da lavoura, o que favorece o ganho econômico.

Observa-se, na tabela abaixo (Figura 03), que apesar do maior desembolso por área, o custo por saca do grupo das propriedades superiores do Educampo Café é menor que aquele registrado no grupo das inferiores. Isso porque a maior produtividade ocasiona a diluição do custo.

Figura 03: Custo por saca com determinadas atividades produtivas

Fonte: Sebrae Minas. Educampo Café – Biênio 2016/2018. Dados econômicos corrigidos pelo IGP-DI maio/2019.

As fazendas mais produtivas obtiveram um custo por saca 34% menor em relação às inferiores em produtividade, representando uma diferença de R$131,76, demonstrando maior eficiência na conversão dos recursos. O interessante é que ao fazer as mesmas estratificações individualizadas para as três regiões produtoras de café de MG (Cerrado, Matas e Sul de Minas), o comportamento é o mesmo.

Portanto, é imprescindível fazer uma análise criteriosa dos investimentos a serem realizados nas lavouras, principalmente em momentos de preços de venda reduzidos, priorizando a utilização eficiente dos recursos disponíveis.