Análise de custos como fator para gerenciamento de riscos da atividade cafeeira

Os meses de janeiro e de fevereiro foram marcados pela baixa de preço da saca de café na Bolsa de Nova Iorque. E, mesmo com o fortalecimento do Real frente ao Dólar, os preços do café no mercado físico brasileiro ficaram muito abaixo do esperado pelos produtores nesse período.

O histórico de preços da saca de café de 60 Kg, bebida dura, tipo 6, base Cepea, do período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2019 mostra a grande volatilidade do mercado. Contudo, mesmo considerando as flutuações em decorrência à alta dos preços em determinados períodos é possível observar, no gráfico abaixo (Figura 01), a tendência de redução no cenário com valores corrigidos pela inflação.

Figura 01: Tendências de preços do café:

Fonte: CEPEA (café bebida, dura tipo 6 – dados de jan/2004 a fev/2019 corrigidos pelo IGP-DI de dezembro de 2018)

Ao analisar os preços corrigidos, observa-se que o ano de 2018 registrou o segundo menor valor entre 2004 e 2018 e o menor nos últimos cinco anos. Nos dois primeiros meses de 2019 a situação ficou ainda mais agravante, visto que a média de preços foi 7,9% menor que aquela registrada em 2018. Isso faz com que o risco da atividade cafeeira aumente, de modo que os gestores passam a ser desafiados a tomarem atitudes visando minimizar o impacto negativo do mercado.

Conhecer os custos de produção é imprescindível para tomar decisões assertivas e, assim, minimizar os riscos da atividade. Na tabela abaixo (Figura 02) é possível observar dados de 200 propriedades participantes do Educampo Café. A média do custo operacional total dessas fazendas, no biênio 2016/2018, foi R$ 424,25 por saca. Comparando o custo de produção com o preço médio de venda base Cepea, a margem líquida foi extremamente estreita, uma vez que o custo ficou somente 4,7% abaixo do preço de venda. No entanto, ao observar o preço médio de venda das fazendas do Educampo Café no mesmo período, que foi R$ 512,42 por saca, a margem foi de 17,2% acima do valor da saca de café comercializado.

Figura 02: Indicadores Educampo Café

Fonte: SEBRAE Minas. Educampo Café – Biênio 2016/2018. Dados de 200 propriedades, corrigidos pelo IGP-DI de dezembro de 2018.

Os cenários desafiadores de mercado evidenciam ainda mais a necessidade de uma boa gestão da propriedade. As fazendas mais rentáveis do Educampo, nas três principais regiões produtoras do estado, vêm fazendo o seu dever de casa. Os gestores dessas propriedades utilizam o custo de produção para planejar as atividades, equilibrar os gastos e definir a melhor estratégia de comercialização frente às diversas oportunidades que o mercado possibilita. Assim, essas propriedades obtiveram preços 14,2% superiores à média de preços divulgado pelo Cepea nos últimos dois anos.

Portanto, é imprescindível medir e controlar os custos de produção, avaliando as medidas a serem tomadas para alcançar bons resultados, assim como as fazendas analisadas alcançaram.